Calma.

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04 de janeiro de 2019. Ufa, chegou. Nenhuma ansiedade para essa data específica, mas certo alívio de não ter perdido as forças ali em 2018. Os últimos 30 dias do ano costumam ser bastante longos e curtos ao mesmo tempo: happy hours intermináveis, reuniões de fim de ano, planejamento para o ano seguinte, pressão para bater meta, contagem regressiva pro recessinho (mesmo que de 04 dias contando com o fim de semana), etc.

Nessa época, costuma-se fazer o balanço de fim de ano e ele costuma desembocar em planos. Planos para manter o ritmo, mudar, melhorar, mas planos. Dos mais esperançosos aos mais céticos, ninguém escapa. Principalmente os que acham que são imunes a estas flutuações emocionais de fim e começo de ano, são esses mesmos sambam no meio da roda sem nem se dar conta.

Eu, como boa entusiasta de ciclos, acredito que começos e términos são necessários. Definir limites, pontos finais e novos parágrafos evitam uns loops tóxicos e abrem espaço para entrar coisa nova. Afinal, ninguém enche um copo já cheio, certo? Precisa dar vazão, caso contrário transborda e desperdiça. Dito isso, também sou da turma que defende que esses últimos 30 dias do ano não são lá o melhor momento para tomar decisões. Por experiência própria, observação do mundo, pesquisas e mais uma bordoada de coisas. Somos tomados pelo espírito do “vou resolver minha vida, daqui para frente tudo vai ser diferente” e nos atropelamos num processo louco de organização da vida que, francamente, leva muito mais do que 30 dias.

Da matrícula do plano anual da academia à compra compulsiva de itens estranhos para cozinha porque “vou começar a cozinhar” mais, influenciados diretamente pelo encontro com aquele pessoal que a gente costuma ver pouco, mas tá sempre cheio de novidade para contar. Aquele colega de faculdade que conta sobre como melhores hábitos de vida o tornaram uma pessoa mais saudável e, de quebra, mais bonita fisicamente, passou por um processo de transição que geralmente não tem a ver com impulso. Aquela pergunta dos parentes sobre relacionamentos e etc, pode ser respondida com um simples “estou focado em uma coisa diferente”. Enfim, a gente não precisa passar pelo desespero das mudanças de vida que precisam ser iniciadas com ações doidas em dezembro. A dor é inevitável, o sofrimento é opcional.

Dá para ter calma. Dá para respeitar o próprio ciclo. Dá para planejar com calma. Simplesmente porque as coisas levam tempo e mudanças profundas exigem sinceridade de quem quer mudar. Sinceridade interna, não sensação de ação ao criar castelos de areia que acalentam momentaneamente.

Aqui, agora em 2019, dá tempo de fazer as coisas com tempo. Inclusive escrever. E esse é o meu projeto do ano: escrever mais sobre as coisas que eu gosto. Começa com um compromisso aqui no Obuli, pé no chão e dentro das possibilidades. Mas os ventos é que realmente vão me dizer até onde estes textos vão chegar – no momento, o que eu posso fazer é içar a vela. Vamos.

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