Betty Davis, a única rainha do funk

Ao olhar o cenário musical atual e se deparar com notícias de choque com a atitude mais provocadora das cantoras atuais, até dá a impressão de que elas são pioneiras na forma de expor sua arte e decretar sua liberdade pro mundo. Ainda hoje é esperado que nós mulheres nos comportemos da forma certa: sente assim, fale assim, diga isso, não diga aquilo, esconda isso e etc. Com mulheres famosas que “precisam ser exemplos para as meninas”, não é diferente.

Há algumas décadas artistas de diversos backgrounds têm desafiado o status quo, de Grace Jones à Salt N’ Peppa , cada uma de sua forma. Bancar o manifesto “meu corpo + minha imagem = minhas regras” nunca foi fácil e, talvez, nunca será. Mas uma figura em especial é pouco lembrada nessa trajetória de liberdade feminina sob os holofotes: Betty Davis.

É difícil descreve-la com outra expressão que não seja “rainha do funk”. Ousada, encantadora, original e muito fiel a si mesma, é uma figura misteriosa. Depois de chacoalhar os padrões sociais por quase uma década, cantar livremente sobre sexo, performances provocativas e enlouquecer em cima do palco,  Betty desapareceu.

Betty, assim como toda grande mulher que se relaciona com alguém do meio artístico, é geralmente reduzida à “esposa de Miles Davis”. Cantora, artista e amiga de nomes como Jimi Hendrix e Sly Stone, foi a responsável por apresentar os dois à Miles, que de tão inspirado chegou a marcar um encontro musical com Jimi. O encontro nunca aconteceu, mas o mergulho neste novo universo proporcionado por Betty, inspirou o primeiro disco de jazz rock da história, Bitches Brew (considerado obra prima até hoje). Divisor de águas  é mais apropriado para descrever quem foi Betty Davis para carreira e vida de Miles.

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Primeira e única rainha do funk , dona de uma voz rouca, autêntica e cheia de atitude, estava mais para rockstar do que cantora. Se hoje temos super potências como Rihanna , Beyoncé e Madonna, é porque o primeiro passo foi dado por Betty no início dos anos 70. Assumiu as rédeas da própria carreira e fez o que quis musicalmente e com a própria imagem – trabalho especialmente árduo para mulheres no meio artístico.

Seu primeiro disco, homônimo, tinha uma banda monstruosa composta por membros de grupos como Sly and the Family Stone, Graham Central Station, The Pointer Sisters e Tower of Power, entre outros. Quem, além da rainha do funk, teria um time tão pesado para dividir o estúdio e fazer história?  Depois do primeiro disco, vieram apenas mais três: They Say I’m Different (1974) , Nasty Gal (1975) e Is it Love or Desire (originalmente de 1976, mas lançado apenas em 2009).

Ainda é difícil encontrar Betty Davis. Uma simples busca na internet exige um pouco mais de afinco: aparecem escassos links sobre a cantora, num mar de resultados sobre a atriz Bette Davis. O buscador inclusive acha que você errou ao digitar. Mas o documentário “Nasty Gal”, previsto para 2016, promete dar uma guinada na história e contar quem foi , e por onde anda, Betty Davis. Além de revelar o mistério por trás do desaparecimento de uma figura tão influente, mas tão pouco conhecida fora dos círculos dos amantes de música negra.

A rainha do funk, finalmente, vai reassumir o trono?

Mais informações sobre o doc aqui: http://www.nastygalmovie.com/

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2 comentários Adicione o seu

  1. Caju disse:

    Belo texto, mas a imagem que você escolheram como capa é na verdade a Marsha Hunt!

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  2. Thon disse:

    Nem acredito que conheci essa pérola só esse ano e estou louco nela rs…que voz que som poxxa era pra ser considerada como os outros grandes nomes….Não consigo nem achar show ao vivo….só aparece aquela atriz rsrs….mas na minha vida essa mulher já faz toda diferença 👍

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